terça-feira, setembro 21, 2010
O regresso do Amândio
Realmente é verdade. Há poucos dias, lia algumas coisas históricas acerca do caso Saltillo, aquando da participação portuguesa no Mundial do México em 1986. Ora, a opinião dos jogadores era na altura unânime sobre quem era o principal causador dos problemas na selecção. Essa pessoa estaria, entre outras coisas, especialmente dedicada a silenciar os protestos dos jogadores junto da federação, o que motivou os posteriores problemas graves ocorridos por lá.
E quem era essa pessoa? É verdade, Amândio de Carvalho... A vida dá muitas voltas, mas as pessoas são sempre as mesmas...
quinta-feira, setembro 16, 2010
Evolução
Uma fase de novas experiências, de novas sensações. Uma fase de descoberta. Uma fase de mudanças.
Como é natural, sinto-me perdido. Há alturas como estas na vida. Alturas em que nos falta o pé, em que perdemos as referências que aprendemos a construir ao longo do tempo.
Mas são alturas como estas que nos fazem evoluir. Assim como enfrentei o desafio de aprender a nadar fora de pé, no mar aberto, chegou a altura de o fazer na vida. Desafiar os meus medos, aprender a ser auto-suficiente. Chegou a altura de mudar algumas coisas na minha vida, aproveitando esta fase.
Definir novos objectivos, mudar paradigmas e lutar para alcançá-los.
Há por aí muitos desafios a vencer e são para enfrentar de frente.
Vamos a isso!
sexta-feira, junho 04, 2010
Mexilhão Palestiniano
À primeira vista, e esta era a minha opinião inicial, os Palestinianos são as vítimas maiores num conflito com a maior potência militar da zona. Um povo de refugiados sujeito à agressão de um Golias sem escrúpulos. Mas nos últimos tempos tenho mudado a minha opinião. Parece-me agora que os Palestinianos são vítimas sim, mas do conflito de interesses entre os seus próprios irmãos árabes e Israel.
Pareceu-me bastante estranho que só depois desta agressão de Israel e posterior tragédia é que o Egipto veio abrir a fronteira com a faixa de Gaza. Será normal que um dos países árabes também ajude a manter os irmãos palestinianos isolados da ajuda humanitária exterior? Ou seria que o Egipto apenas esperava pelo agudizar da situação para aparecer como o grande salvador? Porquê ajudar tanto tempo a piorar esta situação de desespero?
Parece-me que aos países árabes à volta da Palestina lhes interessa que a situação continue instável na região, com as atenções voltadas para o conflito da Palestina com Israel e à volta da soberania de Jerusalém. Só assim é que as atenções são desviadas do facto de nenhum dos países da zona ser uma democracia (excepto... Israel). Só assim se explica que os países árabes da região financiem mais as acções militares do Hamas e similares do que financiem o apoio humanitário ou de reconstrucção da Palestina. Existe alguma dúvida de que, com o apoio de todos os países à volta, os eternos refugiados Palestinianos já teriam transformado os territórios onde vivem num país? Povos recolocados já houve vários na história do mundo (e mesmo recentemente na Europa), e todos conseguiram voltar a estabelecer-se no novo território, desde que os deixem em paz.
No meio desta luta de interesses entre os extremistas judeus, as ditaduras árabes e os vendedores de armamento quem se lixa é mesmo o povo Palestiniano!
P.S.:Curiosamente, agora veio também a Turquia aproveitar-se do sofrimento dos Palestinianos para se aproximar do Ocidente...
quarta-feira, abril 28, 2010
E lá vamos nós outra vez
Reuniram-se os dois principais líderes partidários nacionais, e o que concluíram? Que a crise económica deveria ser paga por aqueles que a criaram, como os bancos ou os grandes investidores bolsistas? Não. Decidiram que as primeiras medidas a tomar são para culpabilizar e controlar os desempregados e os pobres.
Ou seja, em face de uma crise, são exactamente aqueles que mais com ela sofrem os primeiros a ser penalizados. Por que não aumentar os impostos para aqueles que ganham dinheiro com o mercado de capitais, não produzindo nenhuma riqueza para a sociedade?
Continuamos na mesma. Mesmo depois dos avisos que esta crise nos trouxe, continuamos a seguir cegamente o mercado financeiro. Não aprendemos que a economia baseada em castelos de cartas tende a ruir.
Onde iremos parar?
sexta-feira, abril 16, 2010
Wishful Nations
Tenho visto já algumas reacções (tanto nos próprios comentários das notícias como no Facebook, por exemplo) a estas declarações.
Por um lado os defensores do direito à auto-determinação de todos os povos, invocam que o desejo de qualquer povo a ser independente é suficiente para que tal aconteça.
Por outro lado, os críticos da descolonização defendem que não só Cabo Verde, como a maioria das restantes colónias ainda deveriam ser parte de Portugal. Aqueles chamam fascistas e colonialistas a estes e estes respondem com os epítetos habituais de comunas, esquerdalhos ou com acusações de falta de patriotismo.
Na minha opinião, e retirando deste assunto as questões concretas, para não invocar assuntos que ainda estão muito frescos na nossa memória colectiva, existem territórios que não são viáveis enquanto países independentes. Kosovo ou Timor-Leste são para mim disso exemplos, tal como o são muitos dos micro-estados da Oceânia ou das Caraíbas.
Penso que não é necessário para a autodeterminação de um povo, que o seu território seja independente. Soluções de autonomias especiais, com legislação própria existem por todo o mundo, e são disso exemplo as variadas opções encontradas pela França para dotar de diversos graus de autonomia os seus territórios ultramarinos.
Não vejo qual a necessidade de criar um estado independente que não tem recursos para ser auto-suficiente, e que necessitará constantemente de ajuda externa. Por muito bonito que seja pensar que existe mais um povo no mundo que atingiu a sua independência, todas as suas implicações futuras devem ser acauteladas. Nos casos que mencionei, existem sérias dúvidas de que estes novos países estarão alguma vez fora da alçada das Nações Unidas ou da intervenção directa de outros países.
Como óbvio, não estou a falar de territórios e de povos que estejam sujeitos a constante opressão por parte de um qualquer estado totalitário. Esses têm todo o interesse em obter a sua separação. No entanto, no seio de um país democrático, em que sejam salvaguardadas as suas diferenças culturais e a sua identidade enquanto povo, não será indispensável a sua independência.
sexta-feira, março 19, 2010
Casamento de Interesses
O Sr. Cavaco enviou a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo para apreciação pelo tribunal constitucional. Junto com a lei, enviou um parecer do eminente professor de direito, Dr. Freitas do Amaral. As razões deste Sr. Professor podem ser encontradas aqui.
Já li e reli o artigo, e não encontro qualquer lógica nos argumentos apresentados. Pela lógica apresentada, os casais heterossexuais são obrigados a ter filhos, senão o casamento não tem valor. Ou os homossexuais que são pais não têm qualquer direito ou dever perante os filhos que entretanto tiveram (salvo se estiverem num casamento heterossexual). Confusos? Também eu.
O Sr. Dr. Freitas do Amaral lê a constituição à sua maneira e tenta fazer valer a sua opinião (de uma forma pateta, digo eu). Os seus argumentos são incompreensíveis, e desprovidos de qualquer lógica que não seja a da manipulação da opinião pública. O seu interesse é o mesmo do Presidente da República que é o de rejeitar a lei, satisfazendo assim a mesma clientela conservadora que não queria aprovar o direito à IVG.
Será que o Sr. Cavaco também acrescentou algum parecer favorável à constitucionalidade da lei quando a remeteu ao Tribunal Constitucional?
Do Sr. Freitas do Amaral, com as constantes derivas ideológicas que já demonstrou, podemos esperar isto. Do Sr. Silva também podemos esperar sempre o mesmo. Este é o presidente com a agenda ideológica mais marcada e com o mais baixo nível de escrúpulos da nossa curta história democrática.
segunda-feira, março 08, 2010
Morrer em Andorra
Sei que vou ser politicamente incorrecto, mas é preciso morrer no estrangeiro para ser homenageado pelo Presidente? Os mortos em acidentes de trabalho em Portugal (que infelizmente ainda são muitos) não merecem essa homenagem? Talvez porque iriam ser tantas homenagens que teriam de ser levantadas muitas questões. Fiscalização efectiva, corrupção, o conveniente olhar para o lado de alguns, etc, etc...
Que conveniente é ir lançar a campanha presidencial em Andorra, tendo ocorrido lá este acidente, não é Sr. Silva?
terça-feira, fevereiro 02, 2010
Entrevista de Christophe Dejours ao Público
Para compreender melhor o estado mental das relações laborais, a importância da avaliação, das políticas de “qualidade total” e do recurso ao outsourcing, recomendo a leitura deste artigo no público. É um pouco extenso mas vale a pena:
http://www.publico.clix.pt/Sociedade/um-suicidio-no-trabalho-e-uma-mensagem-brutal_1420732
Mar Encrespado
Mário Crespo andava com vontade de dar nas vistas. Efemérides sobre o ecrã da previsão do tempo, entrevistas mais ou menos incisivas aos seus convidados e uns artigos no jornal perfeitos para irem passando de caixa de mail em caixa de mail, na lógica do “este é que tem razão, vou já reenviar para todos os meus contactos!”, tão habitual no nosso nacional-carneirismo digital.
Mas Mário Crespo queria mais. Queria ser uma Manuela Moura Guedes sem batom. “Ela foi silenciada e eu não? O que é que eu tenho a menos que ela?”. Vai daí, surge o último artigo de opinião, baseado num diz-que-disse pouco digno (digo eu) para um jornalista sério. E como tal, próprio para se editado na Internet e não num artigo de opinião num jornal.
Se Mário Crespo quer entrar na política, deve deixar o jornalismo. Se quer ser jornalista, deve deixar a intriga política. Não pode é ser um ser híbrido, que usa o jornalismo para manter uma imagem de isenção junto da opinião pública, mas vai metendo umas lanças na política, tentando tornar-se em mais um opinion maker.
Estou certo que existirão muitos “jovens lobos” a tentar ocupar o lugar de Mário Crespo na SIC Noticias. No entanto, acho que a melhor forma de manter a concorrência à distância seria emanar uma aura de solidez profissional, capitalizada ao longo dos anos de profissão, à qual os novos não poderão ainda aspirar. No entanto, estas estórias só servem para descredibilizar essa imagem que demorou anos a construir. E tenho pena, porque Mário Crespo poderia ser um dos grandes jornalistas portugueses. Mas não assim.
segunda-feira, dezembro 14, 2009
Dieta - Parte 4 - Controlo
Em primeiro lugar, definir objectivos realistas. Não defini à partida que iria perder mais de 20 kg ou que iria atingir o IMC ideal. Fui dando pequenos passos. Dos 109 Kg apontei para os 100. Lá chegado, apontei para os 95 e depois para os 90. Até chegar agora, que estou com 87/88.
Em termos de controlo reconheço que, no meu caso, a situação raiou a paranóia.Sei que isto não é recomendado, mas eu controlava diariamente o peso de modo a compreender que alimentos/combinações de alimentos funcionam melhor ou pior. Ao fim de algum tempo sabia o que podia ou não comer. E ainda estou a aprender. Sei perfeitamente que uma pessoa normal não se pesaria as vezes que me pesei. Mas ao fim de algum tempo, com a evolução positiva do peso, instalou-se uma determinação que não me deixava descansar até ter cumprido os sucessivos objectivos. E sei perfeitamente que, sem essa natureza obsessiva, não o teria conseguido.
Avaliando agora, sei que no começo a perca de peso é maior. Quanto mais nos vamos aproximando do peso ideal, menos peso vamos perdendo no mesmo período de tempo.
Até aos 95 kg a perda de peso foi bem mais fácil do que daí para a frente (ou para baixo, neste caso).
Convém não esquecer que de vez em quando sabe bem fazer umas pausas para umas “prendas” que nos dêem motivação. Durante este processo, acho que fui uma vez por mês ao rodízio ou ao sushi. Claro que não comi como comeria antes, até porque agora me sinto cheio mais depressa (também porque me habituei a comer mais devagar), mas é sempre motivante saber que no final dos vários pedaços de túnel que vamos atravessando estão umas fatias de picanha com uns copos de sangria, ou uns belos pedaços de sushi. As coisas assim tornam-se mais fáceis.
Em resumo, perdi cerca de 22 kg, o que corresponde a 4 garrafões de água (imaginem que vivem com o peso de 4 garrafões de água pegados ao corpo). Olhando para trás, diria que não foi assim tão difícil, o que até será incongruente com o que tenho vindo aqui a explicar. Mas acho que se durante todo este tempo tivesse pensado que era difícil e que não iria conseguir, não tinha conseguido cá chegar...
