O Estado Português foi condenado, pelo tribunal Europeu dos direitos do Homem, por não ter deixado entrar nas suas águas territoriais o barco da organização "
Women on Waves", que pretendia efectuar sessões de esclarecimento sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez (
IVG). Dessa forma, o estado será obrigado a pagar uma indemnização às duas organizações queixosas.
Reza o
acordão que Portugal não foi condenado por proibir a divulgação das ideias e actividades da referida organização, mas sim porque, impedindo a entrada do navio, impediu que fizessem uso do seu meio mais eficaz de propaganda.
Recordo que nessa altura, o referido barco foi acompanhado por um navio de guerra que impediu a sua entrada nas nossas águas. Tamanha demonstração de força no sentido de
obviar à discussão de ideias e divulgação de conteúdos, revela bem o terceiro-
mundismo do nosso país, especialmente do, à data, ministro da defesa.
Ora e quem era este ministro da defesa nacional? Nem mais nem menos que aquele a quem ninguém faz perguntas sobre a
IVG nem sobre o casamento
Gay. Este senhor, pelas suas ideias e atitudes
fascizantes custou ao nosso país uma humilhante condenação em Bruxelas como um país que guarda a sua moral católica com navios de guerra. Parece-me que atitudes destas seriam de outros senhores (ou da outra senhora), não de um país europeu no século XXI.
E já agora, é para isto que temos uma Marinha de Guerra?