terça-feira, outubro 13, 2009
Sondagens Envergonhadas
Também o CDS-PP não gostava das sondagens das europeias, quando lhe davam 2% e eles acabaram por ter mais de quatro vezes esse número.
Recordo-me quando Cavaco Silva ganhou a sua segunda maioria absoluta. As sondagens davam como muito pouco provável esse resultado. Mas nessa altura, ninguém se rebelou contra as sondagens.
Parece-me que nestes últimos dois fenómenos aconteceu o mesmo que em 1991. Ou seja, as pessoas não assumiram que iriam votar no PP ou em Santana Lopes. Quando questionadas, o decoro falou mais alto e a noção de que poderiam ser criticadas pela opção política evitou que revelassem o verdadeiro sentido do voto. Mas na altura em que era necessária, a cruzinha não deixou de ir para o sítio que achavam correcto. É o chamado voto envergonhado. Revela muito acerca da maturidade política de um país, mas pode enganar quem confia cegamente nas sondagens.
Valha a verdade, se eu votasse em qualquer destes três "objectos políticos", também teria vergonha em assumi-lo...
quarta-feira, setembro 30, 2009
Cortinas de Fumo
Foi só a mim que pareceu que a declaração de ontem do Presidente da República não se tratou de nada mais do que uma cortina de fumo? Não esclareceu nada, levantou suspeitas (algumas das quais a roçar o ridículo como a dos emails) e não conseguiu justificar a demissão do seu assessor. Para quem se gaba de rigor e transparência, pareceu-me que andamos a brincar às instituições. E quando se “enche a boca” (em bom português) com as competências e poderes da Presidência da República também se demonstra que se recapitula demasiado o que se pode fazer, porque já que não se sabe muito bem o que fazer. Não me recordo de nenhum dos Presidentes eleitos ter-se envolvido tão evidentemente na luta político-partidária, agravado pelo facto não se conseguir afastar de uma imagem de desnorte. Se não fosse por agravar a instabilidade actual, acho o que Presidente só tem neste momento uma solução para salvar a face. Obviamente, demitir-se.
P.S.: Já agora, para quem, na sua declaração afirma peremptoriamente que “(…)sou particularmente rigoroso na isenção em relação a todas as forças partidárias (…)” é no mínimo invulgar que todos os elementos do Conselho de Estado nomeados por si sejam da área do PSD ou da direita parlamentar. Isto chama-se isenção, equidistância e vontade de ouvir as diversas sensibilidades políticas do país.
segunda-feira, setembro 28, 2009
Democracia a sério?
Democracia a sério é quando deixamos de tentar apenas impor unicamente o que nós queremos e passamos a ouvir as diversas sensibilidades existentes, na tentativa de enriquecer ao máximo a solução encontrada. Com o resultado das eleições de ontem, o Partido Socialista vê-se obrigado a entrar sempre em acordo com outra força política quando quiser ver aprovada uma lei. Não me choca que um governo (que ainda tem uma maioria clara, com 18 deputados a mais que a segunda força) exerça o seu mandato buscando apoios pontuais, conforme o teor de cada lei que queira ver aprovada. A meu ver, esta forma de governação só virá trazer mais responsabilidade aos actores políticos (incluindo os partidos da oposição, habituados a um bota-abaixo muitas vezes inconsequente), bem como promover um verdadeiro exercício da democracia. A necessária procura de consensos irá revelar o grau de maturidade democrática existente na nossa classe política. Esperemos que os nossos políticos estejam à altura deste teste, de modo a manter a estabilidade do país, sem deixar de tomar as medidas necessárias para o seu progresso social e, sobretudo, civilizacional.
Espero também que o actual Presidente da República se lembre que do seu cargo também depende a estabilidade política do país, e abandone as suas estratégias de desestabilização do plano político nacional. Mas será que podemos esperar isso deste Presidente?
domingo, setembro 27, 2009
Não querendo repetir o "fascistas de me..." que vociferei no calor do momento (ainda bem que não tenho twitter), restou-me o espanto de ver Ricardo Costa destacar a importância do PCP, bem como contrapor que esses argumentos já existem à 20 anos, e a importância do partido na sociedade Portuguesa mantém-se.
Agora, pegando no argumento de Sarsfield Cabral, o que dizer de um país cujo terceiro partido pode vir a ser (ainda não acabou a noite eleitoral enquanto escrevo este texto) o CDS-PP?
Um partido de direita encapotada, que se vale de argumentos demagógicos e simplistas sem coerência nem com o seu passado nem, já sabemos isso, com o seu futuro.
Isto dirá bem da nossa sociedade (e podemos os distritos ver onde o CDS foi buscar os novos deputados), da sua iliteracia e do seu atraso cívico. Pior do que ter um partido Marxista-Leninista com influência na sociedade...
terça-feira, setembro 22, 2009
Expresso Escondido...
A última edição do Expresso é profícua em notícias orientadas… Na primeira página fala-se dos PPRs de Louça e de outros dirigentes do BE, bem como das acções de empresas privadas. Na última página fala-se do hipotético custo para o erário público da nacionalização de uma série de empresas privadas, imputando-se esse custo às propostas de BE e CDU. Parece que, agora que o seu objectivo eleitoral deixa de ser o roubar votos à CDU (o que nunca conseguiu) e passa a ameaçar verdadeiramente contribuir para uma maioria de esquerda no parlamento (somando com a CDU praticamente 20% dos votos), o anterior menino querido da imprensa portuguesa se ameaça tornar no patinho feio… Ou ameaçaria, se este lugar não estivesse já ocupado à uns 25 anos…
terça-feira, setembro 15, 2009
Esmiuçado
Sócrates teve uma boa opção, ao ser entrevistado para o novo programa dos Gato Fedorento. Provou que é um bom desportista, e que não se importa que brinquem com a sua persona política. Esteve muito cordato e bem-educado, com um sorriso aberto (ao seu estilo, claro) e uma tentativa de piada em cada resposta. Fez a sua campanha, sempre dentro desse registo, de modo a não assustar o público-alvo do programa. No entanto, mesmo dentro dessa cordialidade, não deixou de revelar a sua veia reaccionária (isso mesmo, re-a-cci-o-ná-ri-a). Distinguiu esquerda moderada (a sua) de esquerda radical (a dos outros), qualificando assim BE e PCP de partidos não-democráticos. E não se coibiu de apodar Ricardo Araújo Pereira de “Estalinista”. Tenho a impressão que debaixo de tanto pó-de-arroz, havia ali uma veia a latejar…
sexta-feira, setembro 04, 2009
Até que enfim!
Finalmente o senhor Avelino “MDLP” Ferreira Torres foi impedido de se candidatar a um cargo público (pode ser visto aqui). Só espero que o mesmo possa acontecer a outros políticos condenados por aproveitamento da sua situação enquanto eleitos públicos (como por exemplo o senhor Isaltino de Oeiras). Acredito que esta possa ser um bom começo para quem espera (e à muito tempo desespera) pelo fim dos caciques no nosso país. Principalmente pelo fim da expressão “Ele até rouba, mas vai fazendo coisas”. Este é um dos exemplos que, por cá, ainda estamos a muitos níveis no terceiro mundo. Temos instituída uma cultura em que o aproveitamento dos bens comuns é considerado “desculpável”, desde que haja obra feita. No entanto, sendo o exercício de um cargo público (eleito ou não) um dever para com o próximo e a sociedade, não nos podemos esquecer que da nossa sociedade era natural que este tipo de “aproveitadores” surgissem. Em terra de cegos, quem tem olho é rei, e na nossa terra às vezes basta meio olho…
quinta-feira, setembro 03, 2009
Gripe Histérica 2
http://www.ionline.pt/conteudo/21117-gripe-a-medicos-acusam-interesses-economicos-criar-doenca-fantasma
Curioso é o presidente da Ordem dos Médicos de Espanha falar também em interesses políticos, para além dos interesses económicos. Estamos a criar na Europa uma sociedade de medo do que vem aí? São as doenças, o terrorismo, os imigrantes...
Tudo isto para nos assustar, e aceder assim às dramatizações dos políticos, mas também para nos distrair das questões essenciais...
domingo, agosto 30, 2009
Pina Colada
Não imagino que interesses estejam por trás desta mudança de casaca de Pina Moura. Mas tenho a certeza absoluta que os há. Porque o poder económico não apoia os políticos só porque lhe apetece.
Este é mais um daqueles cocktails económico-politico que pululam na nossa sociedade. Mas concerteza que os beneficiados não seremos nós...
quinta-feira, agosto 27, 2009
Auto-Género
Infelizmente, estes filmes não têm muito mais que isso. De cinema têm pouco, mas de marketing e de fama têm muito. Ja chegava o Pulp Fiction para percebermos o "género Tarantino". Não precisávamos mais do mesmo.
