sábado, abril 19, 2008
Lobos Loucos
Afinal, ouvi mal as declarações do Sr. Jardim. Onde ele disse loucos, eu ouvi lobos. Mas afinal a quem interessa o que diz o Sr. Jardim?
terça-feira, abril 15, 2008
Hienas
Mais uma vez, o Sr. Jardim nos presenteia com a sua má educação e verborreia própria de um ditadorzeco legitimado pelas "autonomia" Madeirense. Assim, ficamos a saber que afinal não há risco de que os Lobos estejam em risco de extinção em Portugal, porque existe uma reserva ecológica na assembleia regional da Madeira.
Só me pergunto se não haverá nos orgãos centrais do país ninguém que ponha a mão nisto. Por muito menos, já chegou o presidente da república a advertir o governo de Lisboa, chamando-o à atenção sobre atitudes e/ou medidas que não acharia correctas.
Mas neste caso parece que o Sr. Jardim goza de uma impunidade total. Todo o poder central, de Belém a São Bento se curvam perante os seus 30 anos de governo. Em qualquer outro lugar, 30 anos de governo seriam considerados, mesmo com a legitimidade eleitoral, no mínimo suspeitos. Mas na Madeira já não é assim. Até Jaime Gama, que considerava o Sr. Jardim como um Bokassa, agora já o felicita pelo seu governo. Se calhar porque se revê em algumas das suas medidas de controle da sociedade, quem sabe.
O que me dá esperança é saber que, daqui a alguns anos, quando o Sr. Jardim estiver para abandonar o poder, o seu partido não se irá revelar como uma alcateia de Lobos, mas sim como um bando de Hienas...
Só me pergunto se não haverá nos orgãos centrais do país ninguém que ponha a mão nisto. Por muito menos, já chegou o presidente da república a advertir o governo de Lisboa, chamando-o à atenção sobre atitudes e/ou medidas que não acharia correctas.
Mas neste caso parece que o Sr. Jardim goza de uma impunidade total. Todo o poder central, de Belém a São Bento se curvam perante os seus 30 anos de governo. Em qualquer outro lugar, 30 anos de governo seriam considerados, mesmo com a legitimidade eleitoral, no mínimo suspeitos. Mas na Madeira já não é assim. Até Jaime Gama, que considerava o Sr. Jardim como um Bokassa, agora já o felicita pelo seu governo. Se calhar porque se revê em algumas das suas medidas de controle da sociedade, quem sabe.
O que me dá esperança é saber que, daqui a alguns anos, quando o Sr. Jardim estiver para abandonar o poder, o seu partido não se irá revelar como uma alcateia de Lobos, mas sim como um bando de Hienas...
terça-feira, abril 08, 2008
Chama unânime
Neste momento, toda a comoção à volta do Tibete e dos Jogos Olimpicos em Pequim parece-me francamente forçada. Parece que o mundo ocidental procura uma catarse de algo e encontra no Tibete e na China uma forma de não pensar nos seus problemas.
Esta unanimidade à volta das questões do Tibete, como qualquer outra, assusta-me. E obriga-me a tentar ver o outro lado do prisma. Nem que seja para sentir que o lado certo é o lado unânime.
O Tibete, era uma província chinesa no século XVIII. Foi no início do século XX que os Ingleses fizeram um acordo com a dinastia Qing (dinastia chinesa governante do Tibete), em que concordavam, em troca de uma renda, não ocupar o Tibete. Não sem antes massacrarem algumas centenas de tibetanos na sua capital, Lhasa. A partir da primeira guerra mundial, e do desmembramento da China, o Tibete passou a ser independente, embora sem governo secular próprio, e com uma sociedade fortemente dominada pelos mosteiros budistas. Em suma, uma Teocracia absolutista. A partir de 1951, a China invadiu o Tibete, re-anexando o território e provocando a fuga do actual Dalai Lama para a Índia. Actualmente o tibete é palco de uma elevada repressão da China sobre os monges budistas. No entanto, o Dalai Lama não defende a independência do Tibete, mas apenas a sua maior autonomia.
A ideia que retiro da situação actual é a de que o Tibete foi parte da China durante cerca de 250 dos últimos 300 anos, e nunca deu mostras, como estado independente, de ser algo mais que o resultado do interesse dos monges budistas em utilizar uma sociedade unicamente para o sustento das suas congregações. Pensando bem, um Tibete independente neste momento seria um segundo vaticano. Só que bem mais pobre e atrasado. Como os seus vizinhos Butão e Nepal que continuam a lutar (ainda que independentes) pelo acesso à completa liberdade e democracia.
Claro que nada disto justifica a violência e repressão continuadas da China. Mas pelo menos permite ver outra face do prisma...
Esta unanimidade à volta das questões do Tibete, como qualquer outra, assusta-me. E obriga-me a tentar ver o outro lado do prisma. Nem que seja para sentir que o lado certo é o lado unânime.
O Tibete, era uma província chinesa no século XVIII. Foi no início do século XX que os Ingleses fizeram um acordo com a dinastia Qing (dinastia chinesa governante do Tibete), em que concordavam, em troca de uma renda, não ocupar o Tibete. Não sem antes massacrarem algumas centenas de tibetanos na sua capital, Lhasa. A partir da primeira guerra mundial, e do desmembramento da China, o Tibete passou a ser independente, embora sem governo secular próprio, e com uma sociedade fortemente dominada pelos mosteiros budistas. Em suma, uma Teocracia absolutista. A partir de 1951, a China invadiu o Tibete, re-anexando o território e provocando a fuga do actual Dalai Lama para a Índia. Actualmente o tibete é palco de uma elevada repressão da China sobre os monges budistas. No entanto, o Dalai Lama não defende a independência do Tibete, mas apenas a sua maior autonomia.
A ideia que retiro da situação actual é a de que o Tibete foi parte da China durante cerca de 250 dos últimos 300 anos, e nunca deu mostras, como estado independente, de ser algo mais que o resultado do interesse dos monges budistas em utilizar uma sociedade unicamente para o sustento das suas congregações. Pensando bem, um Tibete independente neste momento seria um segundo vaticano. Só que bem mais pobre e atrasado. Como os seus vizinhos Butão e Nepal que continuam a lutar (ainda que independentes) pelo acesso à completa liberdade e democracia.
Claro que nada disto justifica a violência e repressão continuadas da China. Mas pelo menos permite ver outra face do prisma...
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
Menina Bonita
António Costa veio queixar-se de que trataram mal a sua lei das finanças locais, quando o tribunal de contas chumbou o pedido de empréstimo da CML para pagar divídas a fornecedores.
Pensava que António Costa era o Pai da lei, mas afinal é a Mãe. E uma Mãe que não confia na educação que deu à sua filha, nem naqueles que lidam com ela.
Se António Costa soubesse ter criado convenientemente a sua querida Lei, talvez ela tivesse criado mecanismos de defesa, que não deixassem espaço para que outros a tratassem mal.
O agora presidente da CML está a provar do seu próprio remédio. Vê usada contra si uma lei que ele próprio criou, concerteza com a melhor das intenções, para endireitar um mundo por vezes desviante que é o das finanças autárquicas. Nunca imaginou é que estaria um dia do outro lado e que veria a sua filha virar-se contra ele.
Acontece nas melhores famílias.
Pensava que António Costa era o Pai da lei, mas afinal é a Mãe. E uma Mãe que não confia na educação que deu à sua filha, nem naqueles que lidam com ela.
Se António Costa soubesse ter criado convenientemente a sua querida Lei, talvez ela tivesse criado mecanismos de defesa, que não deixassem espaço para que outros a tratassem mal.
O agora presidente da CML está a provar do seu próprio remédio. Vê usada contra si uma lei que ele próprio criou, concerteza com a melhor das intenções, para endireitar um mundo por vezes desviante que é o das finanças autárquicas. Nunca imaginou é que estaria um dia do outro lado e que veria a sua filha virar-se contra ele.
Acontece nas melhores famílias.
sábado, fevereiro 16, 2008
Independência?
1 – Ramos horta provou da forma mais amarga o seu remédio, quando se sobrepôs a uma decisão judicial que mandava prender o “major” Reinado, dando-lhe um salvo-conduto. Timor-Leste terá futuro? Quantos anos serão necessários para formar quadros com competência para administrar o país? Dentro da confusão reinante, imagino que muitos. Mas há potências regionais a quem convém estas situações de modo a aumentar o seu poder militar na ilha. O objectivo é um país calmo e controlado, de todas as formas.
2 – O Kosovo prepara-se para ser um novo Timor-Leste. Se pela Ásia, mandam os interesses da Austrália no petróleo, nos Balcãs mandam os interesses do crime organizado e do tráfico de droga, que necessitam de um estado independente para poder prosseguir os seus negócios sem influências externas. O Kosovo não tem futuro enquanto estado independente. Parece que os países da União Europeia têm medo de dizer isto. Não nos podemos esquecer que foi a inabilidade da União Europeia em lidar com as tensões na ex-jugoslávia (nomeadamente com a independência da Croácia) que ajudou à guerra da Jugoslávia…
2 – O Kosovo prepara-se para ser um novo Timor-Leste. Se pela Ásia, mandam os interesses da Austrália no petróleo, nos Balcãs mandam os interesses do crime organizado e do tráfico de droga, que necessitam de um estado independente para poder prosseguir os seus negócios sem influências externas. O Kosovo não tem futuro enquanto estado independente. Parece que os países da União Europeia têm medo de dizer isto. Não nos podemos esquecer que foi a inabilidade da União Europeia em lidar com as tensões na ex-jugoslávia (nomeadamente com a independência da Croácia) que ajudou à guerra da Jugoslávia…
domingo, janeiro 27, 2008
Pela boca morre o crocodilo
Morreu hoje o ex-ditador Suharto, que governou a Indonésia durante 31 anos, estabelecendo um regime ditatorial de perseguição feroz aos opositores, que foi consubstanciado, por exemplo, na morte de milhões de comunistas e de sino-indonésios. Sobre a sua tomada do poder, a própria CIA disse num dos seus relatórios que "Em termos de números de mortes, os massacres anti-PKI (partido comunista da Indonésia) na Indonésia estão cotados como um dos piores genocídios do século 20".
Como o exemplo que nos toca bem de perto, só em Timor-Leste foi assassinado cerca de um terço da população, ou seja 200 000 pessoas.
Para além da sua violência e crueldade, o governo de Suharto caracterizou-se também por elevados níveis de corrupção e de aproveitamento próprio do dinheiro do país, com a estimativa de que a sua familia teria acumulado cerca de 15 mil milhões de dólares.
Ora, o que é estranho após a morte desta figura acabam por ser os elogios à sua actuação vindos dos dois principais dirigentes de Timor-Leste. Tanto Ramos Horta como Xanana Gusmão vieram hoje a público elogiar a forma como Suharto foi capaz de desenvolver a Indonésia, tendo em conta a dificuldade de unir realidades tão díspares. Já o facto de o desenvolvimento ser feito à custa da opressão de quaisquer oponentes é colocado em segundo plano pelas duas principais figuras da política Timorense da actualidade.
Isto seria hilariante se não fosse triste... O principal argumento para a ocupação de Timor pela Indonésia foi sempre o do desenvolvimento do território. Foi contra a ocupação da Indonésia que Ramos Horta e Xanana Gusmão lutaram e agora vêm a público defender o principal argumento da potência ocupante.
Das duas uma, ou estas duas figuras são completamente loucas ou estão a preparar alguma parecida...
Como o exemplo que nos toca bem de perto, só em Timor-Leste foi assassinado cerca de um terço da população, ou seja 200 000 pessoas.
Para além da sua violência e crueldade, o governo de Suharto caracterizou-se também por elevados níveis de corrupção e de aproveitamento próprio do dinheiro do país, com a estimativa de que a sua familia teria acumulado cerca de 15 mil milhões de dólares.
Ora, o que é estranho após a morte desta figura acabam por ser os elogios à sua actuação vindos dos dois principais dirigentes de Timor-Leste. Tanto Ramos Horta como Xanana Gusmão vieram hoje a público elogiar a forma como Suharto foi capaz de desenvolver a Indonésia, tendo em conta a dificuldade de unir realidades tão díspares. Já o facto de o desenvolvimento ser feito à custa da opressão de quaisquer oponentes é colocado em segundo plano pelas duas principais figuras da política Timorense da actualidade.
Isto seria hilariante se não fosse triste... O principal argumento para a ocupação de Timor pela Indonésia foi sempre o do desenvolvimento do território. Foi contra a ocupação da Indonésia que Ramos Horta e Xanana Gusmão lutaram e agora vêm a público defender o principal argumento da potência ocupante.
Das duas uma, ou estas duas figuras são completamente loucas ou estão a preparar alguma parecida...
quarta-feira, janeiro 16, 2008
Braço torcido
Em diferente grau, sofro do mesmo mal que o meu Pai. Quando posto perante uma situação em que me demonstram por A+B que a minha opção está errada, eu posso mudar a minha opinião, mas nunca admito que estou errado. Sinto um bloqueio mental em relação ao dar o braço a torcer. Sinto que é um ataque pessoal e defendo a minha honra com unhas e dentes.
Penso que é o que se passa actualmente com Sócrates e Lino. Reconheceram internamente que afinal estavam a tomar a opção errada, e que deveriam optar por colocar o novo aeroporto noutro local. No entanto, não lhes peçam para reconhecer que erraram. Já é suficiente terem reconhecido a evidência e alterado a sua posição. Não lhes peçam mais.
É claro que irão dizer que os nossos líderes deveriam ser homenzinhos e reconhecer que estão errados. Mas precisamente por estar nas posições em que estão é que não lhes é possível reconhecer que estavam enganados e que mudaram a sua posição. Não poderiam continuar na posição em que se encontram. Se Sócrates ou Lino tivessem admitido que se enganaram, teriam de se demitir de imediato, pois não teriam condições de continuar no governo.
Por outro lado, há quem ache que desde o início que o governo queria esta opção para o novo aeroporto, tendo montado todo este circo mediático apenas para obter o maior apoio possível dos lobbies e da população. Mas é só teoria da conspiração...
Penso que é o que se passa actualmente com Sócrates e Lino. Reconheceram internamente que afinal estavam a tomar a opção errada, e que deveriam optar por colocar o novo aeroporto noutro local. No entanto, não lhes peçam para reconhecer que erraram. Já é suficiente terem reconhecido a evidência e alterado a sua posição. Não lhes peçam mais.
É claro que irão dizer que os nossos líderes deveriam ser homenzinhos e reconhecer que estão errados. Mas precisamente por estar nas posições em que estão é que não lhes é possível reconhecer que estavam enganados e que mudaram a sua posição. Não poderiam continuar na posição em que se encontram. Se Sócrates ou Lino tivessem admitido que se enganaram, teriam de se demitir de imediato, pois não teriam condições de continuar no governo.
Por outro lado, há quem ache que desde o início que o governo queria esta opção para o novo aeroporto, tendo montado todo este circo mediático apenas para obter o maior apoio possível dos lobbies e da população. Mas é só teoria da conspiração...
terça-feira, janeiro 15, 2008
Mais do mesmo
Alberto João Jardim volta ao mesmo. Em mais umas inenarráveis declarações, Jardim declara que tem sempre lutado contra as tendências independentistas dos Madeirenses (mas não explica como), ao mesmo tempo que coloca a hipótese de, num eventual impulso irreprimível do povo do arquipélago para se tornar independente, se colocar ao lado dos seus conterrâneos, numa possível separação de Portugal.
A mim não me escandaliza a hipótese de uma Madeira independente. Seria um alívio para o nosso orçamento de estado, ao mesmo tempo que seria um impulso para que os Madeirenses tomassem conta de quem os lidera... O que me faz alguma pena é que uma Madeira independente seria um estado pária, completamente dependente de outros estados e da sua contribuição, bem como entregue a elites dirigentes corruptas e com tendências fascizantes.
A única coisa que me faria pena era o Cristiano Ronaldo deixar de representar a nossa selecção, para passar a equipar de Azul e Amarelo. Mas acho que era uma troca benéfica para o resto do país....
A mim não me escandaliza a hipótese de uma Madeira independente. Seria um alívio para o nosso orçamento de estado, ao mesmo tempo que seria um impulso para que os Madeirenses tomassem conta de quem os lidera... O que me faz alguma pena é que uma Madeira independente seria um estado pária, completamente dependente de outros estados e da sua contribuição, bem como entregue a elites dirigentes corruptas e com tendências fascizantes.
A única coisa que me faria pena era o Cristiano Ronaldo deixar de representar a nossa selecção, para passar a equipar de Azul e Amarelo. Mas acho que era uma troca benéfica para o resto do país....
terça-feira, janeiro 08, 2008
Isto é um tratado...
Acabei de ouvir as notícias sobre a forma de aprovação do tratado europeu, e confesso que estou cada vez mais espantado (atarantado seria a expressão correcta).
Não que eu seja actualmente um defensor acérrimo do referendo, depois dos péssimos exemplos de cidadania que (não) tivemos nos referendos já efectuados. Por mim, até não vejo mal em que não haja referendo neste assunto. Sempre é algum dinheiro que se poupa, evitando-se mais uma mancha no currículo da nossa democracia.
O que me espanta são os argumentos utilizados para justificar a ratificação do tratado por via da assembleia da república.
Primeiro temos o argumento quase salazarento de que o nosso primeiro-ministro quer efectuar um referendo, mas que apenas não o faz porque o partido não o deixa (coitadinho, até eu tenho uma lágrima ao canto do olho), embora o partido tenha prometido na campanha que iria fazer um referendo sobre o tratado europeu. Ah não, dizem eles, o tratado já não se chama constitucional. Agora é tratado de Lisboa, portanto é completamente diferente (continuam os argumentos brilhantes).
O nosso presidente da república (igualmente um eminente democrata) também ajuda à festa. Para ele, como o tratado é de Lisboa, temos de dar o exemplo e aprová-lo já. Pelo superior interesse nacional. Só não explica de quem é o interesse de ver um tratado aprovado de imediato e sem discussão. Mas acho que conseguimos perceber. Não dava jeito a qualquer um deles (PR ou PM) sujeitar-se a essa maçada que é descobrir que mais de metade da população se está nas tintas e correr o risco até de perder a votação. Não podemos correr o risco de entrar em democracias...
Com tantos argumentos e tão válidos, admira-me que não haja um maior reconhecimento pelos nossos amados líderes. Somos mesmo ingratos...
Não que eu seja actualmente um defensor acérrimo do referendo, depois dos péssimos exemplos de cidadania que (não) tivemos nos referendos já efectuados. Por mim, até não vejo mal em que não haja referendo neste assunto. Sempre é algum dinheiro que se poupa, evitando-se mais uma mancha no currículo da nossa democracia.
O que me espanta são os argumentos utilizados para justificar a ratificação do tratado por via da assembleia da república.
Primeiro temos o argumento quase salazarento de que o nosso primeiro-ministro quer efectuar um referendo, mas que apenas não o faz porque o partido não o deixa (coitadinho, até eu tenho uma lágrima ao canto do olho), embora o partido tenha prometido na campanha que iria fazer um referendo sobre o tratado europeu. Ah não, dizem eles, o tratado já não se chama constitucional. Agora é tratado de Lisboa, portanto é completamente diferente (continuam os argumentos brilhantes).
O nosso presidente da república (igualmente um eminente democrata) também ajuda à festa. Para ele, como o tratado é de Lisboa, temos de dar o exemplo e aprová-lo já. Pelo superior interesse nacional. Só não explica de quem é o interesse de ver um tratado aprovado de imediato e sem discussão. Mas acho que conseguimos perceber. Não dava jeito a qualquer um deles (PR ou PM) sujeitar-se a essa maçada que é descobrir que mais de metade da população se está nas tintas e correr o risco até de perder a votação. Não podemos correr o risco de entrar em democracias...
Com tantos argumentos e tão válidos, admira-me que não haja um maior reconhecimento pelos nossos amados líderes. Somos mesmo ingratos...
terça-feira, janeiro 01, 2008
Listened Archive
BSO - The Namesake
João Afonso - Missangas
Pink Martini - Hey Eugene
Emily Haines & The Soft Skeleton - Knives Don't Have Your Back
Roberta Sá - Braseiro
Lila Downs - La Cantina
Simon & Garfunkel - The Best of Simon & Garfunkel
Emiliana Torrini - Fisherman's Woman
Jarabe de Palo - ¿Grandes Exitos?
João Afonso - Outra Vida
Stina Nordenstam - The World Is Saved
Twelve Girls Band - Eastern Energy
Fiona Apple - Extraordinary Machine
João Afonso - Missangas
Pink Martini - Hey Eugene
Emily Haines & The Soft Skeleton - Knives Don't Have Your Back
Roberta Sá - Braseiro
Lila Downs - La Cantina
Simon & Garfunkel - The Best of Simon & Garfunkel
Emiliana Torrini - Fisherman's Woman
Jarabe de Palo - ¿Grandes Exitos?
João Afonso - Outra Vida
Stina Nordenstam - The World Is Saved
Twelve Girls Band - Eastern Energy
Fiona Apple - Extraordinary Machine
Subscrever:
Mensagens (Atom)
