quinta-feira, maio 05, 2005

Brasileiradas

Num site, por acaso bastante útil mas no entanto brasileiro, existe uma listagem referente às melhores empresas de hospedagem de blogs, vistas do ponto de vista de um brasileiro. Não me interpretem mal, esta lista, como aliás todo o site (embora sendo brasileiro), está bem explicada, com simplicidade e objectividade.

No entanto, na referência ao sapo, encontramos esta pérola, sinal que este simpático irmão transatlântico não conhece o poderio económico do grupo PT:
"Para quem se irrita com publicidade, os blogs do Sapo não têm banners nem pop-ups e, também, nem serviço pago - do que será que a empresa vive? "

Mas continua:
"Para os brasileiros, há somente o problema do choque cultural. De certo modo, o português falado na Internet brasileira está mais próximo ao inglês do que ao português de Portugal, onde eles aportuguesam tudo."

Portanto, existe português da Internet brasileira e o português de Portugal... imagino que o português "tout-court" seja o "originário" do Brasil...

É caso para dizer:

Pô cara! Se liga, né?

Democracia Madeirense

Segundo a notícia do DN,
"A Assembleia Legislativa da Madeira levantou a imunidade parlamentar ao deputado socialista João Carlos Gouveia para responder pela "prática de um crime de difamação agravada" contra Alberto João Jardim."

Palavras para quê?

Democracia à moda da espetada em pau de loureiro...

quarta-feira, maio 04, 2005

Casa Pia

Está a tornar-se clara a posição dos Media sobre o julgamento do caso dos abusos sexuais sobre os alunos da Casa Pia.
Depois de muito chinfrim, de muito diz-que-disse e de toneladas de fait-divers (fat-daivers em americano), na última semana o tom acalmou e passaram a referir-se às vítimas do processo (as mesmas que foram vítimas dos pedófilos) como "supostas vítimas" ou "alegadas vítimas". Inclusivamente, passaram a adoptar um discurso mais "ligeiro", retirando a importância de que se revestem estes depoimentos.

A intenção sabemos qual é. Desculpabilizar. A sincronização de posições entre os órgãos de comunicação é que vem confirmar o que eu já suspeitava à anos.
No nosso país não temos um quarto poder.
Temos um cartel de interesses de fácil instrumentalização.

terça-feira, maio 03, 2005

Carrilhanores de Alverca

Como é sabido, em Alverca foi inaugurada, no primeiro de Maio, uma nova igreja, com o primeiro carrilhão montado no nosso país em trezentos anos.
Conta com uma nova igreja com capacidade para 500 pessoas, torre de 47 metros de altura para os sinos, um centro paroquial e um centro de actividades com auditório.
O Santuário de Fátima ofereceu as imagens dos pastorinhos beatos Francisco e Jacinta e uma de Nossa Senhora para ficarem colocadas na nova Igreja dos Pastorinhos. As imagens foram transportadas por um helicóptero da Força Aérea no próprio dia da inauguração.
Foram, no total, cerca de 5 milhões de euros, com 20% pagos pelo nosso governo. Quarenta por cento serão garantidos por empréstimo bancário pela própria paróquia, enquanto os restantes 40 por cento sairão da venda de património e também de apoios, por parte de empresas e particulares, que patrocinam sinos do carrilhão, com direito a nome gravado e tudo.

Agora, o que me chateia mais é a ignorância repetida dos nossos orgãos de comunicação social...
Aprendam... Um tocador de carrilhão não é um carrilhonista. É um Carrilhanor. Que é uma designação muito mais bonita.

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Eleições

O PS ganhou as eleições com maioria absoluta. Há algumas coisas que me apetece dizer sobre isso:

  • O Presidente da República teve razão. Os eleitores estavam fartos de Santana Lopes. E de Durão Barroso... Teve razão ou manobrou bem com os seus poderes...
  • Os advogados saíram derrotados. Dos cinco líderes concorrentes, somente os advogados registaram quedas.
  • Toda a esquerda subiu. Tratou-se de um fenómeno estranho, visto que tem acontecido que, quando existe uma concentração de votos no PS, existe uma queda nas forças à sua esquerda (nomeadamente a CDU). Neste caso, os votos do PS vieram do centro e da direita. O que me leva à questão de quem realmente elegeu o Eng. Sócrates. Não foi a esquerda, pois esta continuou ( e aumentou) a sua votação na CDU e no BE.
    Portanto, não se espere que exista uma governação à esquerda. Especialmente com a Maioria Absoluta (assim, com letras grandes). Quem elegeu a Maioria Absoluta do PS foram o centro e a direita.
  • Para a direita foi uma derrota. Estrondosa.
  • Para a esquerda foi uma vitória. Amarga.
  • A governação será feita ao centro. O que quer que isso seja. Uma terra de ninguém em termos ideológicos que deveria ser uma convergência de ideias, mas que geralmente se traduz numa ausência de iniciativas. Ao centro está o Partido Humanista...
  • João Jardim continua ridículo.
  • Os outros vencedores das eleições foram o MPT e o PPM. Sem fazer campanha (quase como o PS), ganharam grupos parlamentares. Uma montra para as suas ideias. Obrigado, Pedrinho.
  • PS e PSD têm 73,74% dos votos entrados nas urnas. O restante parlamento tem 21,21%. Ficaram de fora 2,13%. Mais 1,81% de votos em Branco e 1,12% de votos nulos. Temos assim a ideia de que o parlamento representa a maioria esmagadora da população. Mas também de que 3 em cada 4 Pessoas votaram nos dois maiores partidos. Sinal de que somos definitivamente um povo de carneirinhos...
  • Ficou na minha memória a frase da mais recente coqueluche da política portuguesa. Cara bonita, jovial, sorriso aberto, verbo fácil. “Hoje é um dia de comemoração. Dizemos adeus a Santana Lopes”.

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Meias Tintas & Brandos Costumes

O nosso povo é uma coisa estranha...
Ontem ouvi Francisco Louçã dizer que tinha sido infeliz ao dizer algo que que seria aplicável a qualquer homem, mas que foi dito a Paulo Portas e, como tal, assumiu um significado especial pelas razões que todos sabemos que existem mas que ninguém quer assumir que existem.
Ou seja, foi algo perfeitamente normal (embora um pouco descabido por Louçã ser também um homem), mas como foi dito à personagem a quem foi dito é um assunto que deve ser tratado com pinças e de esguelha.
Na Antena1, o psicólogo Carlos Amaral Dias quis falar disto, mas Carlos Magno cortou-lhe o verbo repetidamente. "por questões de Cavalheirismo, não vamos falar desse assunto", disse. Ou seja, ficou no ar o motivo, mas sem concretizar.
O facto de todos os orgãos de comunicação social não concretizarem que a "boca" de Louçã se deve à orientação sexual de Paulo Portas, só revela o que somos enquanto povo.
A ousadia particular é substituida pela cobardia pública. Os dichotes contundentes em privado (ou em semi-privado) são trocados pelas meias palavras.
Não se deve dizer que se disse algo em público sobre algo que é voz corrente em privado, mas deve-se sim pedir desculpa por se ter tentado dizer o que não se disse, sem dizer o que se tentou dizer.
Complicado? Portugueses.

quinta-feira, janeiro 27, 2005

Retrato - 2005/01/19

Rosto envelhecido, costas encurvadas, sorriso de criança.
Move-se entre os carros parados, ombros encolhidos e mãos nos bolsos, buscando um cigarro ou uma moeda.
A luz que nasce no seu rosto faz renascer em cada um dos seus benfeitores a esperança que se ia esgotando no caos matinal.
A sua atitude não é a do mendigo. Apenas a confiança baseada no conhecimento acumulado o dirige para as janelas dos automóveis.
Poderão nascer amizades no tempo de um sinal vermelho?

Colaborações

Para quem não estiver farto de mim, aqui estão as minhas colaborações no BatataQuente:

Retratos - 2005-01-14
Movimentos
Estudo Facilitado