sexta-feira, abril 16, 2010

Wishful Nations

Mário Soares veio dizer hoje que Cabo Verde não deveria ter sido independente.

Tenho visto já algumas reacções (tanto nos próprios comentários das notícias como no Facebook, por exemplo) a estas declarações.
Por um lado os defensores do direito à auto-determinação de todos os povos, invocam que o desejo de qualquer povo a ser independente é suficiente para que tal aconteça.
Por outro lado, os críticos da descolonização defendem que não só Cabo Verde, como a maioria das restantes colónias ainda deveriam ser parte de Portugal. Aqueles chamam fascistas e colonialistas a estes e estes respondem com os epítetos habituais de comunas, esquerdalhos ou com acusações de falta de patriotismo.

Na minha opinião, e retirando deste assunto as questões concretas, para não invocar assuntos que ainda estão muito frescos na nossa memória colectiva, existem territórios que não são viáveis enquanto países independentes. Kosovo ou Timor-Leste são para mim disso exemplos, tal como o são muitos dos micro-estados da Oceânia ou das Caraíbas.

Penso que não é necessário para a autodeterminação de um povo, que o seu território seja independente. Soluções de autonomias especiais, com legislação própria existem por todo o mundo, e são disso exemplo as variadas opções encontradas pela França para dotar de diversos graus de autonomia os seus territórios ultramarinos.

Não vejo qual a necessidade de criar um estado independente que não tem recursos para ser auto-suficiente, e que necessitará constantemente de ajuda externa. Por muito bonito que seja pensar que existe mais um povo no mundo que atingiu a sua independência, todas as suas implicações futuras devem ser acauteladas. Nos casos que mencionei, existem sérias dúvidas de que estes novos países estarão alguma vez fora da alçada das Nações Unidas ou da intervenção directa de outros países.

Como óbvio, não estou a falar de territórios e de povos que estejam sujeitos a constante opressão por parte de um qualquer estado totalitário. Esses têm todo o interesse em obter a sua separação. No entanto, no seio de um país democrático, em que sejam salvaguardadas as suas diferenças culturais e a sua identidade enquanto povo, não será indispensável a sua independência.

sexta-feira, março 19, 2010

Casamento de Interesses

O Sr. Cavaco enviou a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo para apreciação pelo tribunal constitucional. Junto com a lei, enviou um parecer do eminente professor de direito, Dr. Freitas do Amaral. As razões deste Sr. Professor podem ser encontradas aqui.

Já li e reli o artigo, e não encontro qualquer lógica nos argumentos apresentados. Pela lógica apresentada, os casais heterossexuais são obrigados a ter filhos, senão o casamento não tem valor. Ou os homossexuais que são pais não têm qualquer direito ou dever perante os filhos que entretanto tiveram (salvo se estiverem num casamento heterossexual). Confusos? Também eu.

O Sr. Dr. Freitas do Amaral a constituição à sua maneira e tenta fazer valer a sua opinião (de uma forma pateta, digo eu). Os seus argumentos são incompreensíveis, e desprovidos de qualquer lógica que não seja a da manipulação da opinião pública. O seu interesse é o mesmo do Presidente da República que é o de rejeitar a lei, satisfazendo assim a mesma clientela conservadora que não queria aprovar o direito à IVG.

Será que o Sr. Cavaco também acrescentou algum parecer favorável à constitucionalidade da lei quando a remeteu ao Tribunal Constitucional?

Do Sr. Freitas do Amaral, com as constantes derivas ideológicas que já demonstrou, podemos esperar isto. Do Sr. Silva também podemos esperar sempre o mesmo. Este é o presidente com a agenda ideológica mais marcada e com o mais baixo nível de escrúpulos da nossa curta história democrática.

segunda-feira, março 08, 2010

Morrer em Andorra

O Presidente da República homenageou 5 portugueses que morreram num acidente de trabalho em Andorra.
Sei que vou ser politicamente incorrecto, mas é preciso morrer no estrangeiro para ser homenageado pelo Presidente? Os mortos em acidentes de trabalho em Portugal (que infelizmente ainda são muitos) não merecem essa homenagem? Talvez porque iriam ser tantas homenagens que teriam de ser levantadas muitas questões. Fiscalização efectiva, corrupção, o conveniente olhar para o lado de alguns, etc, etc...

Que conveniente é ir lançar a campanha presidencial em Andorra, tendo ocorrido lá este acidente, não é Sr. Silva?

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Entrevista de Christophe Dejours ao Público

Para compreender melhor o estado mental das relações laborais, a importância da avaliação, das políticas de qualidade total e do recurso ao outsourcing, recomendo a leitura deste artigo no público. É um pouco extenso mas vale a pena:

http://www.publico.clix.pt/Sociedade/um-suicidio-no-trabalho-e-uma-mensagem-brutal_1420732

Mar Encrespado

Mário Crespo andava com vontade de dar nas vistas. Efemérides sobre o ecrã da previsão do tempo, entrevistas mais ou menos incisivas aos seus convidados e uns artigos no jornal perfeitos para irem passando de caixa de mail em caixa de mail, na lógica do este é que tem razão, vou já reenviar para todos os meus contactos!, tão habitual no nosso nacional-carneirismo digital.

Mas Mário Crespo queria mais. Queria ser uma Manuela Moura Guedes sem batom. Ela foi silenciada e eu não? O que é que eu tenho a menos que ela?. Vai daí, surge o último artigo de opinião, baseado num diz-que-disse pouco digno (digo eu) para um jornalista sério. E como tal, próprio para se editado na Internet e não num artigo de opinião num jornal.

Se Mário Crespo quer entrar na política, deve deixar o jornalismo. Se quer ser jornalista, deve deixar a intriga política. Não pode é ser um ser híbrido, que usa o jornalismo para manter uma imagem de isenção junto da opinião pública, mas vai metendo umas lanças na política, tentando tornar-se em mais um opinion maker.

Estou certo que existirão muitos jovens lobos a tentar ocupar o lugar de Mário Crespo na SIC Noticias. No entanto, acho que a melhor forma de manter a concorrência à distância seria emanar uma aura de solidez profissional, capitalizada ao longo dos anos de profissão, à qual os novos não poderão ainda aspirar. No entanto, estas estórias só servem para descredibilizar essa imagem que demorou anos a construir.  E tenho pena, porque Mário Crespo poderia ser um dos grandes jornalistas portugueses. Mas não assim.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Dieta - Parte 4 - Controlo

Finalmente encontrei disponibilidade (de tempo e não só) para terminar os posts relativos à minha perca de peso. Neste último texto pretendo dar uma ideia de como foi efectuado o controlo de todo o processo.

Em primeiro lugar, definir objectivos realistas. Não defini à partida que iria perder mais de 20 kg ou que iria atingir o IMC ideal. Fui dando pequenos passos. Dos 109 Kg apontei para os 100. Lá chegado, apontei para os 95 e depois para os 90. Até chegar agora, que estou com 87/88.

Em termos de controlo reconheço que, no meu caso, a situação raiou a paranóia.Sei que isto não é recomendado, mas eu controlava diariamente o peso de modo a compreender que alimentos/combinações de alimentos funcionam melhor ou pior. Ao fim de algum tempo sabia o que podia ou não comer. E ainda estou a aprender. Sei perfeitamente que uma pessoa normal não se pesaria as vezes que me pesei. Mas ao fim de algum tempo, com a evolução positiva do peso, instalou-se uma determinação que não me deixava descansar até ter cumprido os sucessivos objectivos. E sei perfeitamente que, sem essa natureza obsessiva, não o teria conseguido.

Avaliando agora, sei que no começo a perca de peso é maior. Quanto mais nos vamos aproximando do peso ideal, menos peso vamos perdendo no mesmo período de tempo.
Até aos 95 kg a perda de peso foi bem mais fácil do que daí para a frente (ou para baixo, neste caso).

Convém não esquecer que de vez em quando sabe bem fazer umas pausas para umas “prendas” que nos dêem motivação. Durante este processo, acho que fui uma vez por mês ao rodízio ou ao sushi. Claro que não comi como comeria antes, até porque agora me sinto cheio mais depressa (também porque me habituei a comer mais devagar), mas é sempre motivante saber que no final dos vários pedaços de túnel que vamos atravessando estão umas fatias de picanha com uns copos de sangria, ou uns belos pedaços de sushi. As coisas assim tornam-se mais fáceis.

Em resumo, perdi cerca de 22 kg, o que corresponde a 4 garrafões de água (imaginem que vivem com o peso de 4 garrafões de água pegados ao corpo). Olhando para trás, diria que não foi assim tão difícil, o que até será incongruente com o que tenho vindo aqui a explicar. Mas acho que se durante todo este tempo tivesse pensado que era difícil e que não iria conseguir, não tinha conseguido cá chegar...

sexta-feira, novembro 27, 2009

Dieta - Parte 3 - Actividade Física

Esta é talvez a área mais fácil de explicar em mais difícil de aplicar. É necessária alguma disciplina para manter o ritmo de treinos. Muitas vezes não apetece ir ao ginásio, e temos tendência para inventar um sem número de razões. Mas não há programa de perca de peso bem sucedido sem actividade física.

Na primeira fase, optei por ir ao ginásio 3 vezes por semana. Geralmente, segunda, quarta e sexta-feira. O treino consistia basicamente em exercício aeróbico. 15 minutos de Bicicleta, Alongamentos, 15 minutos de Elíptica e novamente Alongamentos.

A opção por estes exercícios ao invés da corrida deveu-se ao facto de que, com 20 kgs acima do peso ideal, não seria agradável investir numa actividade que iria trazer impacto para as articulações. Apenas iria causar problemas que poderiam ser evitados.

No exercício aeróbico optei sempre por um ritmo forte, ao invés de apostar na resistência das máquinas. O objectivo não era treinar a força, mas sim a área cardiovascular. Assim, há que controlar o batimento cardíaco, mantendo-o constante na área dos 60-70% da pulsação máxima.

Após ter conseguido baixar da barreira dos 95 kg, e porque também já me entediava a rotina do ginásio, passei a experimentar correr na rua. Comecei com pequenas distâncias (3 a 4 km) e rapidamente fui evoluindo para distâncias mais longas. A primeira estabilização no treino deu-se aproximadamente aos 6 km. Continuei como ritmo de 3 vezes por semana.

A partir desta fase passei a entusiasmar-me com a corrida. Para mim é algo que, para além de ser um óptimo regulador de peso, funciona como um escape psicológico para o stress do dia-a-dia. A sensação de contarmos connosco para ultrapassar as dificuldades do percurso, para além de sentir os elementos atmosféricos de perto, são factores motivadores para treinar.

No seguimento do entusiasmo com o atletismo, surgiu a sugestão de me inscrever na secção de atletismo do meu emprego, que permite uma motivação extra de participar em muitas das provas de estrada que ocorrem na zona de Lisboa. Esta possibilidade é mais um factor de motivação para continuar a correr.

Actualmente, e já depois de atingir de uma forma estável o peso ideal (87 kg), decidi voltar ao ginásio, mas apenas para fazer treino de definição muscular, nomeadamente ao nível dos braços e tronco (peito, costas e abdominais).

Dessa forma, o meu plano de treinos actual é o seguinte:

Segunda, Quarta e Sexta: Ginásio. Trabalho de definição muscular.
Terça, Quinta e Domingo: Corrida. Neste momento utilizo um percurso de 8,5 km.
Ocasionalmente ao Domingo: Provas de estrada (geralmente de 10 km). Neste caso, o treino de Quinta passa a ser menor.

Ocasionalmente, se me excedi na alimentação durante a semana, faço também alguma actividade ao Sábado.

sábado, novembro 07, 2009

Dieta - Parte 2 - Alimentação

A minha alimentação durante o dia estava bastante desregulada. Comia basicamente demais, em grandes quantidades às refeições, e sem me preocupar com o que comia. Assim, abusava dos folhados e bolos entre as refeições, bem como dos pratos cheios de comida ao almoço, dificultando a digestão durante a tarde. À noite, cometia diariamente o erro de chegar cheio de fome a casa, fazendo autênticos raides ao frigorífico, comendo tudo o que encontrava à frente, sem preocupações com a qualidade, a quantidade ou a velocidade com que comia. Depois de jantar desta forma, ia geralmente para a cama sentindo-me bastante cheio.

Estes erros alimentares foram complementados pelo que desde pequeno posso chamar do sindroma do prato cheio. Ou seja, a tendência para comer tudo o que me punham no prato. Tendo esta tendência, a primeira coisa a fazer é reduzir a quantidade do que coloco no prato. Ou simplesmente diminuir o tamanho do prato. Parece uma medida unicamente psicológica, mas resulta.

Assim, comecei a reduzir quantidades das refeições principais, redução essa aliada a uma melhor distribuição da comida durante o dia. O objectivo principal foi o de nunca ficar muito cheio após uma refeição, bem como o de melhorar a qualidade da comida ingerida. Aliado a esta qualidade, aumentar a quantidade de fibra ingerida, de modo a potenciar a função digestiva e a eliminação do que se ingeriu.

Após estas considerações, optei por esta estruturação das refeições ao longo do dia:

Pequeno-almoço: Pelas 8:00/9:00, uma tigela de flocos com leite meio gordo ou de soja. Geralmente Farelo de trigo (fibra) em conjunto com outro cereal de sabor mais agradável.

Meio da manhã: Pelas 10:30/11:00, um lanche. Uma sandes de queijo ou fiambre ou manteiga (nunca dois ingredientes ao mesmo tempo e no caso da manteiga, muito pouca), com um iogurte liquido. Por vezes, em alternativa, um iogurte daqueles que vêm com flocos.

Almoço: Aqui uma grande mudança de hábitos. Passei a comer uma sopa, meia-dose e salada. Grande aposta nos legumes cozinhados ou crus (fibra), tendo cuidado com o tipo de prato escolhido. Eliminei fritos (batatas fritas por exemplo), pratos com grandes molhos ou muita gordura. De vez em quando, uma sobremesa de gelatina, aspic ou fruta. No início custa um pouco a habituação, devido ao hábito de comer uma dose inteira, mas estas quantidades são mais do que suficientes. Outro aspecto a ter em conta é o de comer devagar. Só assim o cérebro percebe que já tem comida no estômago, e emite a sensação de saciedade. Estando com fome, demora 20 minutos entre a ingestão de alimentos e a sensação de saciedade. Dessa forma é mesmo necessário comer devagar, para não comer para além do que é necessário.

Meio da tarde: Nunca menos de duas horas depois do almoço, uma peça de fruta~. Aproximadamente uma hora depois um iogurte. Ou vice-versa. Se não se comeu pão de manhã, podemos comer agora.

Final da tarde: Não chegar a casa, para jantar, com fome. É preferível comer qualquer coisa imediatamente antes de sair do trabalho ou no caminho. Mas cuidado com o que se come. Uma peça de fruta ou um iogurte.

Jantar: Esta é a refeição mais importante no processo, já que é à noite que o corpo tem menos hipóteses de queimar as calorias ingeridas. O Jantar deve ser no mesmo estilo do almoço, mas com muito controlo, e com poucas quantidades. Sopas, saladas, frutas, meias-doses de pratos com as mesmas regras do almoço. No meu caso, foi preciso bastante sacrifício devido aos hábitos adquiridos e bastantes vezes me deitei com fome. Neste caso, para aconchegar o estômago, o Chá (ou outra bebida quente) ajuda bastante. Quando se come um pouco demais e se sente o estômago um pouco mais pesado, não nos devemos deitar antes que passem duas horas depois de comer, de modo a dar ao corpo a oportunidade de queimar as calorias ingeridas. Evitar ao máximo ir para a cama de barriga cheia.

Durante o dia, beber água. Eu tenho por hábito beber entre 1 lt e 1,5 lts. Mas depende da vontade. Não vale a pena forçar muito, mas compensa ganhar o hábito de beber água, porque irá ajudar a que toda a parte da digestão trabalhe melhor. E a ingestão de fibras não serve de nada sem água.

Alguns conselhos:

Não excluir completamente coisas de que se gosta muito. Tirando os fritos, as comidas com muita gordura e alguns doces, não deixei de comer o que gosto. Só que em muito menores quantidades. Assim facilitamos o processo, porque diminuímos o sacrifício e ajudamos os primeiros tempos pós-dieta, porque não estamos à espera de consumir (e compensar) aquilo de que nos privámos.

Ter muito cuidado com os snacks ao longo do dia. Não comer folhados, queques, bolos, por muito simples/leves que pareçam. Todas as massas destes alimentos têm muita manteiga, para além de tudo o que lhe é colocado para intensificar o sabor e que geralmente não nos faz muito bem. Evitar as bolachas, mesmo as de água e sal. É preferível levar de casa o que se quer comer, para evitar ficar dependente de máquinas de vending ou da comida dos cafés. Eu optei pelo hábito de preparar uma lancheira antes de sair de casa. Geralmente contendo um iogurte com flocos, uma peça de fruta e uma sandes. Precisamente aquilo que vou comer durante o dia.

Nunca deixar aumentar a sensação de fome durante o dia. Para além de nos arriscarmos a comer demasiado quando finalmente conseguimos comer, o corpo vai aproveitar tudo o que ingerirmos, já que, tendo fome, o corpo não sabe quando vai comer de novo. Este conselho pode dividir-se em dois. Nunca deixar crescer a fome e, no caso de não se conseguir evitar essa sensação, ter muito cuidado com o que se come.

Dieta - Parte 1 - Introdução

Após uma bem sucedida epopeia de perca de peso, vários foram os pedidos para colocar por escrito as várias formas encontradas para atingir o meu objectivo.


Dessa forma para facilitar um pouco a tarefa, bem como a sua leitura, decidi dividir o tema em várias áreas. Este primeiro post serve como enquadramento inicial sobre o tema, tentando explicar algum do histórico originador do início do processo de perca de peso.

Em primeiro lugar, sempre tive excesso de peso. Desde que me lembro, nunca tive algo remotamente próximo do peso ideal. Para isso contribuiu sempre uma alimentação pouco cuidada, um excesso de gorduras na alimentação e o "síndroma de prato cheio" levado ao plural. Para além disso, a falta de exercício físico praticado de forma regular traduzia-se na falta de uma forma consistente de queimar as calorias ingeridas em excesso.

Dessa forma, para uma pessoa que se aproxima bastante dos 1,90 m de altura, sempre pesei à volta de 115/120 kg.

À cerca de 3 anos, por conselho do fisioterapeuta, embarquei numa dieta de Herbalife. Durou cerca de 3 meses e perdi cerca de 12 kgs. Depois apenas recuperei um ou dois kgs, o que permitiu considerar esta experiência como positiva. No entanto, não me sentia completamente satisfeito, já que não fui obrigado a alterar significativamente a minha alimentação, factor que sempre considerei essencial para uma perca de peso bem sucedida. Para além desse factor, o custo associado à compra dos produtos Herbalife (cerca de 100€/mês) não era suportável.

O que me levou ao principio deste ano. Por volta do meu aniversário (28 de Fevereiro), tinha um peso de 109 kgs. Nessa altura, e talvez devido à idade atingida (33 anos) ou talvez devido a um ou dois casos conhecidos de pessoas da minha idade que tinham tido problemas cardíacos devido ao excesso de peso, penso que inconscientemente decidi que estaria na altura de fazer o esforço que me permitisse alcançar um peso satisfatório. O objectivo inicial seria o alcançar de dois dígitos, mas o objectivo "secreto" eram os 95kg. Afinal consegui ir para além disso, mas não sem grande esforço e sacrifício, como seria de esperar e como poderão ler nos posts seguintes...

terça-feira, outubro 13, 2009

Sondagens Envergonhadas

Com aquele jeito de menino amuado, Santana queixou-se das sondagens, como quem se queixa do outro menino que lhe queria tirar o balão (o mesmo balão que acabou por lhe voar, mas isso é outra história). Que lhe davam 10 pontos percentuais a menos que a lista do PS e que foram encomendadas para o prejudicar. Afinal, Santana perdeu por quase 6 pontos, o que não andou muito longe das sondagens, já para não lembrar que lá para Junho as sondagens os davam praticamente empatados. O que quer dizer que houve sondagens para todos os gostos. Só Santana não gosta das que não lhe agradam, como é normal. Os meus filhos também não gostam quando as sondagens de opinião cá em casa são contra eles, e a maioria de opinião que são os pais, não os deixa ver o DVD da Guerra dos Clones.
Também o CDS-PP não gostava das sondagens das europeias, quando lhe davam 2% e eles acabaram por ter mais de quatro vezes esse número.
Recordo-me quando Cavaco Silva ganhou a sua segunda maioria absoluta. As sondagens davam como muito pouco provável esse resultado. Mas nessa altura, ninguém se rebelou contra as sondagens.
Parece-me que nestes últimos dois fenómenos aconteceu o mesmo que em 1991. Ou seja, as pessoas não assumiram que iriam votar no PP ou em Santana Lopes. Quando questionadas, o decoro falou mais alto e a noção de que poderiam ser criticadas pela opção política evitou que revelassem o verdadeiro sentido do voto. Mas na altura em que era necessária, a cruzinha não deixou de ir para o sítio que achavam correcto. É o chamado voto envergonhado. Revela muito acerca da maturidade política de um país, mas pode enganar quem confia cegamente nas sondagens.
Valha a verdade, se eu votasse em qualquer destes três "objectos políticos", também teria vergonha em assumi-lo...