sábado, agosto 23, 2008

Chinela

O facto de o comité olimpico ter mandado regressar o Marco Fortes de Pequim para Lisboa, por causa das suas declarações, é caricato.

Infelizmente esta decisão revela o país terceiro-mundista em que vivemos. Queremos parecer muito sisudos e sérios, quando não é preciso. As verdadeiras pessoas responsáveis são aquelas que sabem guardar as decisões correctas para as alturas apropriadas.

O Marco Fortes não tem qualquer experiência de falar com os jornalistas (fruto do dominio do futebol nos media), para além de ser reconhecidamente bem disposto. Teve apenas um desabafo. Ele esforçou-se para lá chegar, e estas declarações não representam qualquer falta de respeito.

Mas os senhores do comité olimpico julgam que estamos a tratar de coisas sérias e que temos de ter respeitinho. Respeito teria o seu presidente por nós se não andasse a dar o dito por não dito, dando o salto (triplo) entre o não fico e o talvez fique...

terça-feira, agosto 19, 2008

Estejam mas é caladinhos!

Acabei de ouvir o secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Laurentino Dias, dizer que gosta mais de ver os atletas a competir do que a falar.

É normal que um membro do governo com os tiques autoritários que este demonstra tenha estas frases. Em vez de reconhecer que, para resultados, são precisos apoios, o secretário pede para que os atletas se calem.

Gostava de saber quantas piscinas de 50 metros há em Portugal. Ou quantos atletas da delegação precisam de contar com a boa vontade dos seus chefes para poder treinar sequer uma vez por dia. São questões pertinentes, e que não são de agora.

O que o governo não pode pedir é que as pessoas se calem. Porque é apenas nestas alturas que os media dão cobertura aos atletas das modalidades menos conhecidas, como o tiro com arco, os trampolins ou a vela. E eles, como todos nós, também tem direito a fazer ouvir a sua voz.

quarta-feira, agosto 13, 2008

Regressos

Voltei hoje do Pico para São Jorge. Aproxima-se o dia de regressar a Lisboa. Por aqui chove, mas o calor associado à humidade faz-me pensar que estou numas ilhas mais a Oeste daqui, bem mais perto do continente americano. Nunca senti este nível de calor por estas ilhas. Entretanto, vou "despachando" as minhas peregrinações anuais. Nestas férias já acumulei cerca de 20 horas de caminhadas pela ilha. Já fui ao Pico, e visitei as sedes de concelho (no entanto, este ano não houve tempo nem disposição para apanhar o barco na Madalena e beber o gin tónico no Peter's - também não fui à ponta da ilha). Já cozinhei por cá uma receita tradicional da minha familía, desta vez com coelhos bravos caçados aqui. Correu bem, felizmente.

Falta-me ir às Velas a pé. E depois, despedir-me das férias, com mais uns banhos nas Manadas ou nos Terreiros. E depois como será o regresso? Já recarreguei as baterias. Sinto-me cada vez mais ligado a esta terra.

Estou mais introspectivo. Sinto-me mais tentado a escrever sobre mim do que sobre o que se passa à minha volta. E tenho mais vontade de escrever. Sem pensar demasiado na forma nem no conteúdo. Escrever apenas. Pode não sair uma obra de arte, mas pelo menos vai saindo o que estou a pensar no momento. Pode não ser muito bonito, mas é genuíno. Será isto também um regresso interior?

sábado, agosto 09, 2008

São Jorge

Ao ver as cores do céu e das nuvens quando o sol se põe ao lado do faial, as cores do mar na fajã da ribeira da areia ou a lua reflectida no canal entre São Jorge e o Pico é que entendo a ânsia dos pintores em encontrar os tons certos para as suas pinturas. Há tons que não são capturados em fotografias. E esses tons venho encontrá-los aqui, no coração dos Açores. Por entre a montanha e as fajãs, com vista para o resto do grupo central, há coisas que só são apreendidas por quem cá chega. A gente, lutando desde sempre contra os elementos e a orografia, mas também com a ajuda da natureza exuberante, com os verdes, os castanhos, os azuis. E os tons. Os tons da vivência que não há fotografia que capte. Só a pintura feita com os pinceis de quem cá vive.

domingo, junho 01, 2008

Será que é desta

Das eleições do PSD sobressaem dois factores importantes:

  1. O PSD poderá apresentar nas próximas eleições legislativas uma candidatura credível, com o chamado "sentido de estado" ou, pelo menos, alguém que aparenta saber do que está a falar. Será uma mais valia para a democracia e discussão de ideias. Por muito que não goste das posições liberais da Sra. Leite, tenho pelo menos a ideia de que é alguém que fala o que pensa e não se deixa manipular por fazedores de imagem.
  2. Mais uma vez, numas eleições a nível nacional, Santana Lopes é cilindrado. Agora dentro do próprio partido. Por alguma razão João Jardim só concorreria se tivesse a certeza que ia ganhar. Porque saberia que teria mais em comum com Santana Lopes do que o apoio à sua candidatura. Iria ser também cilindrado. Será que é desta que iremos deixar de ouvir falar no menino-herói? Infelizmente penso que não...

sábado, abril 19, 2008

Lobos Loucos

Afinal, ouvi mal as declarações do Sr. Jardim. Onde ele disse loucos, eu ouvi lobos. Mas afinal a quem interessa o que diz o Sr. Jardim?

terça-feira, abril 15, 2008

Hienas

Mais uma vez, o Sr. Jardim nos presenteia com a sua má educação e verborreia própria de um ditadorzeco legitimado pelas "autonomia" Madeirense. Assim, ficamos a saber que afinal não há risco de que os Lobos estejam em risco de extinção em Portugal, porque existe uma reserva ecológica na assembleia regional da Madeira.

Só me pergunto se não haverá nos orgãos centrais do país ninguém que ponha a mão nisto. Por muito menos, já chegou o presidente da república a advertir o governo de Lisboa, chamando-o à atenção sobre atitudes e/ou medidas que não acharia correctas.

Mas neste caso parece que o Sr. Jardim goza de uma impunidade total. Todo o poder central, de Belém a São Bento se curvam perante os seus 30 anos de governo. Em qualquer outro lugar, 30 anos de governo seriam considerados, mesmo com a legitimidade eleitoral, no mínimo suspeitos. Mas na Madeira já não é assim. Até Jaime Gama, que considerava o Sr. Jardim como um Bokassa, agora já o felicita pelo seu governo. Se calhar porque se revê em algumas das suas medidas de controle da sociedade, quem sabe.

O que me dá esperança é saber que, daqui a alguns anos, quando o Sr. Jardim estiver para abandonar o poder, o seu partido não se irá revelar como uma alcateia de Lobos, mas sim como um bando de Hienas...

terça-feira, abril 08, 2008

Chama unânime

Neste momento, toda a comoção à volta do Tibete e dos Jogos Olimpicos em Pequim parece-me francamente forçada. Parece que o mundo ocidental procura uma catarse de algo e encontra no Tibete e na China uma forma de não pensar nos seus problemas.

Esta unanimidade à volta das questões do Tibete, como qualquer outra, assusta-me. E obriga-me a tentar ver o outro lado do prisma. Nem que seja para sentir que o lado certo é o lado unânime.

O Tibete, era uma província chinesa no século XVIII. Foi no início do século XX que os Ingleses fizeram um acordo com a dinastia Qing (dinastia chinesa governante do Tibete), em que concordavam, em troca de uma renda, não ocupar o Tibete. Não sem antes massacrarem algumas centenas de tibetanos na sua capital, Lhasa. A partir da primeira guerra mundial, e do desmembramento da China, o Tibete passou a ser independente, embora sem governo secular próprio, e com uma sociedade fortemente dominada pelos mosteiros budistas. Em suma, uma Teocracia absolutista. A partir de 1951, a China invadiu o Tibete, re-anexando o território e provocando a fuga do actual Dalai Lama para a Índia. Actualmente o tibete é palco de uma elevada repressão da China sobre os monges budistas. No entanto, o Dalai Lama não defende a independência do Tibete, mas apenas a sua maior autonomia.

A ideia que retiro da situação actual é a de que o Tibete foi parte da China durante cerca de 250 dos últimos 300 anos, e nunca deu mostras, como estado independente, de ser algo mais que o resultado do interesse dos monges budistas em utilizar uma sociedade unicamente para o sustento das suas congregações. Pensando bem, um Tibete independente neste momento seria um segundo vaticano. Só que bem mais pobre e atrasado. Como os seus vizinhos Butão e Nepal que continuam a lutar (ainda que independentes) pelo acesso à completa liberdade e democracia.

Claro que nada disto justifica a violência e repressão continuadas da China. Mas pelo menos permite ver outra face do prisma...

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Menina Bonita

António Costa veio queixar-se de que trataram mal a sua lei das finanças locais, quando o tribunal de contas chumbou o pedido de empréstimo da CML para pagar divídas a fornecedores.
Pensava que António Costa era o Pai da lei, mas afinal é a Mãe. E uma Mãe que não confia na educação que deu à sua filha, nem naqueles que lidam com ela.
Se António Costa soubesse ter criado convenientemente a sua querida Lei, talvez ela tivesse criado mecanismos de defesa, que não deixassem espaço para que outros a tratassem mal.

O agora presidente da CML está a provar do seu próprio remédio. Vê usada contra si uma lei que ele próprio criou, concerteza com a melhor das intenções, para endireitar um mundo por vezes desviante que é o das finanças autárquicas. Nunca imaginou é que estaria um dia do outro lado e que veria a sua filha virar-se contra ele.

Acontece nas melhores famílias.

sábado, fevereiro 16, 2008

Independência?

1 – Ramos horta provou da forma mais amarga o seu remédio, quando se sobrepôs a uma decisão judicial que mandava prender o “major” Reinado, dando-lhe um salvo-conduto. Timor-Leste terá futuro? Quantos anos serão necessários para formar quadros com competência para administrar o país? Dentro da confusão reinante, imagino que muitos. Mas há potências regionais a quem convém estas situações de modo a aumentar o seu poder militar na ilha. O objectivo é um país calmo e controlado, de todas as formas.

2 – O Kosovo prepara-se para ser um novo Timor-Leste. Se pela Ásia, mandam os interesses da Austrália no petróleo, nos Balcãs mandam os interesses do crime organizado e do tráfico de droga, que necessitam de um estado independente para poder prosseguir os seus negócios sem influências externas. O Kosovo não tem futuro enquanto estado independente. Parece que os países da União Europeia têm medo de dizer isto. Não nos podemos esquecer que foi a inabilidade da União Europeia em lidar com as tensões na ex-jugoslávia (nomeadamente com a independência da Croácia) que ajudou à guerra da Jugoslávia…