Acabei de ouvir as notícias sobre a forma de aprovação do tratado europeu, e confesso que estou cada vez mais espantado (atarantado seria a expressão correcta).
Não que eu seja actualmente um defensor acérrimo do referendo, depois dos péssimos exemplos de cidadania que (não) tivemos nos referendos já efectuados. Por mim, até não vejo mal em que não haja referendo neste assunto. Sempre é algum dinheiro que se poupa, evitando-se mais uma mancha no currículo da nossa democracia.
O que me espanta são os argumentos utilizados para justificar a ratificação do tratado por via da assembleia da república.
Primeiro temos o argumento quase salazarento de que o nosso primeiro-ministro quer efectuar um referendo, mas que apenas não o faz porque o partido não o deixa (coitadinho, até eu tenho uma lágrima ao canto do olho), embora o partido tenha prometido na campanha que iria fazer um referendo sobre o tratado europeu. Ah não, dizem eles, o tratado já não se chama constitucional. Agora é tratado de Lisboa, portanto é completamente diferente (continuam os argumentos brilhantes).
O nosso presidente da república (igualmente um eminente democrata) também ajuda à festa. Para ele, como o tratado é de Lisboa, temos de dar o exemplo e aprová-lo já. Pelo superior interesse nacional. Só não explica de quem é o interesse de ver um tratado aprovado de imediato e sem discussão. Mas acho que conseguimos perceber. Não dava jeito a qualquer um deles (PR ou PM) sujeitar-se a essa maçada que é descobrir que mais de metade da população se está nas tintas e correr o risco até de perder a votação. Não podemos correr o risco de entrar em democracias...
Com tantos argumentos e tão válidos, admira-me que não haja um maior reconhecimento pelos nossos amados líderes. Somos mesmo ingratos...
terça-feira, janeiro 08, 2008
terça-feira, janeiro 01, 2008
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José Saramago - Pequenas Memórias
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sexta-feira, novembro 09, 2007
Català
Ando aqui nas ruas de Barcelona e oiço falar o catalão. Gosto de sentir que existe por aqui uma língua viva, que as pessoas usam normalmente. Que se usa como primeira língua com a naturalidade de quem foi criado com ela e que se ouve na televisão e na rádio. inclusivamente, assisto a diálogos entre falantes de catalão e de castelhano com semelhante naturalidade, cada um utilizando a sua língua, mas compreendendo-se ambos.
Francamente não esperava esta vitalidade, quem sabe por não estar devidamente informado. Mas é bom senti-la. Foi uma boa supresa.
Català, sil us plau!
Francamente não esperava esta vitalidade, quem sabe por não estar devidamente informado. Mas é bom senti-la. Foi uma boa supresa.
Català, sil us plau!
España y los marroquies
Estou por estes dias em Barcelona, numa conferência internacional da Microsoft. Como gosto de fazer sempre que estou fora de Portugal, tenho visto a televisão local, tanto na sua versão Castelhana como na versão Catalã (é verdade, o catalão até se percebe se estivermos com atenção).
Assisti por aqui à polémica visita dos Reis de Espanha a Ceuta e Mellilla, com o fervor nacionalista nas cidades visitadas. É lógico, porque tendo Marrocos por vizinho, duvido que algum habitante dessas cidades queira ser marroquino. Se Ceuta e Mellilla fossem enclaves espanhóis na Alemanha, queria ver se existiria o tal fervor patriótico, tão enfatizado na TVE, a televisão da grande Espanha unida e indivisa.
Ao mesmo tempo, os Marroquinos protestavam do outro lado da fronteira contra a visita dos Reis, que apelidavam de inoportuna e de provocação. Pudera, ter duas cidades com o nível de vida europeu dentro do território de Marrocos é mesmo uma provocação...
Acontece que esta viagem concidiu com o aniversário da marcha verde, utilizada por Marrocos para ocupar o Saara Ocidental. Se pelo litoral entrava a marcha pacifica divulgada nos media, com milhares de pessoas esperando melhor vida mais a sul, pelo interior entrava o exército Marroquino, massacrando os Sarauis e combatendo a frente Polisario, com uma evidente desigualdade de forças. Esta marcha só foi possivel porque se aproveitou da péssima descolonização efectuada pelo regime espanhol Como tal, por aqui pouca ou nenhuma importância se deu ao acontecimento...
Soube também pelas televisões que os Marroquinos são a maior comunidade estrangeira em Espanha. O governo Espanhol marca posições, mas sem exagerar.
Assisti por aqui à polémica visita dos Reis de Espanha a Ceuta e Mellilla, com o fervor nacionalista nas cidades visitadas. É lógico, porque tendo Marrocos por vizinho, duvido que algum habitante dessas cidades queira ser marroquino. Se Ceuta e Mellilla fossem enclaves espanhóis na Alemanha, queria ver se existiria o tal fervor patriótico, tão enfatizado na TVE, a televisão da grande Espanha unida e indivisa.
Ao mesmo tempo, os Marroquinos protestavam do outro lado da fronteira contra a visita dos Reis, que apelidavam de inoportuna e de provocação. Pudera, ter duas cidades com o nível de vida europeu dentro do território de Marrocos é mesmo uma provocação...
Acontece que esta viagem concidiu com o aniversário da marcha verde, utilizada por Marrocos para ocupar o Saara Ocidental. Se pelo litoral entrava a marcha pacifica divulgada nos media, com milhares de pessoas esperando melhor vida mais a sul, pelo interior entrava o exército Marroquino, massacrando os Sarauis e combatendo a frente Polisario, com uma evidente desigualdade de forças. Esta marcha só foi possivel porque se aproveitou da péssima descolonização efectuada pelo regime espanhol Como tal, por aqui pouca ou nenhuma importância se deu ao acontecimento...
Soube também pelas televisões que os Marroquinos são a maior comunidade estrangeira em Espanha. O governo Espanhol marca posições, mas sem exagerar.
sexta-feira, outubro 19, 2007
Quem diz a verdade...
Ouvi nos últimos dias umas declarações sem grande relevo mediático do nosso ministro da Saúde.
Em traços largos, Correia de Campos, quando questionado sobre o programa nacional de combate à obesidade, teve um daqueles momentos raros num membro do governo. Foi demasiado sincero. Sem querer, com certeza.
Ora Correia de Campos disse que o plano era algo que não seria de implementação rápida, mas que levaria algum tempo até estar no terreno, visto que envolvia várias áreas. Até aqui tudo bem. Mas, na sequência, informa que inclusivamente está a pensar nomear um director para o referido plano que não será "um de nós", mas alguém com capacidade organizativa, por estar fora da área politica.
Elucidativo, não?
Em traços largos, Correia de Campos, quando questionado sobre o programa nacional de combate à obesidade, teve um daqueles momentos raros num membro do governo. Foi demasiado sincero. Sem querer, com certeza.
Ora Correia de Campos disse que o plano era algo que não seria de implementação rápida, mas que levaria algum tempo até estar no terreno, visto que envolvia várias áreas. Até aqui tudo bem. Mas, na sequência, informa que inclusivamente está a pensar nomear um director para o referido plano que não será "um de nós", mas alguém com capacidade organizativa, por estar fora da área politica.
Elucidativo, não?
terça-feira, outubro 16, 2007
Cowboys
Porque é que os polícias portugueses têm todos aquela mania de colocar os polegares no cinto? Será que Portugal é o Faroeste?
Se calhar até têm razão...
Se calhar até têm razão...
sábado, outubro 13, 2007
Mundo ao Contrário
O que mais me assusta no caso da visita dos policias ao sindicato dos professores na Covilhã é o facto de que os que mais atacam o governo por ter tiques salazaristas, são precisamente os partidos directamente herdeiros do salazarismo. Como provam as declarações do CDS (aqui) ou o discurso do novo líder do PSD, ontem à noite.
Dois dos partidos que mais têm pugnado (embora de uma forma subterrânea) pelo branqueamento do fascismo, e que contam ainda nos seus militantes com elementos que fizeram parte do staus quo salazarista, vêm agora acusar o PS de práticas semelhantes ao antigo regime.
Realmente, a verdade é o que nos convém, nem que para isso se coloque o mundo ao contrário...
Dois dos partidos que mais têm pugnado (embora de uma forma subterrânea) pelo branqueamento do fascismo, e que contam ainda nos seus militantes com elementos que fizeram parte do staus quo salazarista, vêm agora acusar o PS de práticas semelhantes ao antigo regime.
Realmente, a verdade é o que nos convém, nem que para isso se coloque o mundo ao contrário...
sexta-feira, setembro 28, 2007
PLD
Shinzo Abe, o primeiro-ministro do Japão demitiu-se. Para lá dos casos de corrupção, foi prejudicado por dois factores: suceder à enorme popularidade de Junichiro Koizumi, o primeiro-ministro mais carismático do Japão dos últimos anos, e não ter sido eleito por voto popular para o cargo, uma vez que foi nomeado para o cargo após ter ganho eleições internas no PLD (Partido Liberal Democrata), motivadas pelo fim do mandato de Koizumi (que motivou também o fim do mandato deste como primeiro-ministro).
No PLD sucede que o mandato do presidente dura 3 anos enquanto o mandato de primeiro-ministro dura 4 anos. O que originou que Koizumi terminasse o seu mandato como líder do partido, e deixasse Abe como novo líder do governo Nipónico, sem que existissem eleições legislativas, mas apenas eleições internas no PLD.
No entanto sucessivos casos de corrupção (inclusive com o suicídio de um ministro) motivaram a derrota nas eleições para o Senado, no final de Julho, enfraquecendo cada vez mais a posição de Abe, que levaram à renúncia deste no passado dia 12, tendo sido substituído por Yasuo Fukuda, também novo líder do PLD em substituição de Abe.
Interessante é que o PLD detém o cargo de primeiro-ministro do Japão à 52 anos (apenas com excepção do período entre Agosto de 1993 e Janeiro de 1996). Se calhar se fosse em outro país, não seria considerada uma democracia...
No PLD sucede que o mandato do presidente dura 3 anos enquanto o mandato de primeiro-ministro dura 4 anos. O que originou que Koizumi terminasse o seu mandato como líder do partido, e deixasse Abe como novo líder do governo Nipónico, sem que existissem eleições legislativas, mas apenas eleições internas no PLD.
No entanto sucessivos casos de corrupção (inclusive com o suicídio de um ministro) motivaram a derrota nas eleições para o Senado, no final de Julho, enfraquecendo cada vez mais a posição de Abe, que levaram à renúncia deste no passado dia 12, tendo sido substituído por Yasuo Fukuda, também novo líder do PLD em substituição de Abe.
Interessante é que o PLD detém o cargo de primeiro-ministro do Japão à 52 anos (apenas com excepção do período entre Agosto de 1993 e Janeiro de 1996). Se calhar se fosse em outro país, não seria considerada uma democracia...
sábado, setembro 08, 2007
McCanned Media
Tenho assistido aos últimos desenvolvimentos do caso do desaparecimento de Madeleine McCann. Não tenho opinião sobre as razões do seu desaparecimento. Essas razões serão apuradas e provadas por quem de direito. A polícia tem métodos de trabalho que devem ser respeitados e levados até ao fim.
No entanto, tudo o que rodeia este caso merece alguma reflexão. Foi criado pelo casal McCann um circo mediático que se alargou a uma dimensão mundial. Digo que foi criado pelo casal McCann, mas o que parece agora é que foi criado por alguém que lhes é exterior. A sua proximidade com o primeiro-ministro inglês, trouxe-lhes a possibilidade de serem apoiados pela diplomacia do seu país. Sabendo das dificuldades que existem para aceder ao mais alto nível do Vaticano, não é crível que um casal de Anglicanos consiga, de um momento para o outro, estar em contacto com o Papa. Foi esta uma das manifestações mais importantes para divulgar este caso a nível mundial.
Não sei se este apoio tem algum interesse para além do da simples amizade, nem quero pensar se existirão ou não também algumas ramificações comerciais relacionadas com o turismo.
O que me deixa neste momento a pensar é o facto de que, se este caso se tivesse passado à 10 anos, nunca teríamos ouvido falar destas movimentações de bastidores efectuadas pelas autoridades britânicas. De facto, talvez pudéssemos somente esperar que dali a algum tempo existisse alguma referência perdida num livro de memórias de um qualquer acessor do governo inglês.
Como este caso se passa actualmente, temos vindo a ser alertados para as suas diversas vertentes. Para isto muito tem contribuído os debates de fundo efectuados nas televisões de referência (RT e SIC) e a competência e discernimento dos comentadores e jornalistas neles presentes (descontando as caretas teatrais do José Rodrigues dos Santos).
Vivemos agora numa época mais esclarecida e com menos espaço para jogadas de bastidores, ou este é apenas um exemplo do que poderia ser um jornalismo com maiores possibilidades de elucidação do público e aclaração de outras áreas com maior influência na nossa vida, como a politica?
Infelizmente, confesso que me inclino para a segunda opção.
No entanto, tudo o que rodeia este caso merece alguma reflexão. Foi criado pelo casal McCann um circo mediático que se alargou a uma dimensão mundial. Digo que foi criado pelo casal McCann, mas o que parece agora é que foi criado por alguém que lhes é exterior. A sua proximidade com o primeiro-ministro inglês, trouxe-lhes a possibilidade de serem apoiados pela diplomacia do seu país. Sabendo das dificuldades que existem para aceder ao mais alto nível do Vaticano, não é crível que um casal de Anglicanos consiga, de um momento para o outro, estar em contacto com o Papa. Foi esta uma das manifestações mais importantes para divulgar este caso a nível mundial.
Não sei se este apoio tem algum interesse para além do da simples amizade, nem quero pensar se existirão ou não também algumas ramificações comerciais relacionadas com o turismo.
O que me deixa neste momento a pensar é o facto de que, se este caso se tivesse passado à 10 anos, nunca teríamos ouvido falar destas movimentações de bastidores efectuadas pelas autoridades britânicas. De facto, talvez pudéssemos somente esperar que dali a algum tempo existisse alguma referência perdida num livro de memórias de um qualquer acessor do governo inglês.
Como este caso se passa actualmente, temos vindo a ser alertados para as suas diversas vertentes. Para isto muito tem contribuído os debates de fundo efectuados nas televisões de referência (RT e SIC) e a competência e discernimento dos comentadores e jornalistas neles presentes (descontando as caretas teatrais do José Rodrigues dos Santos).
Vivemos agora numa época mais esclarecida e com menos espaço para jogadas de bastidores, ou este é apenas um exemplo do que poderia ser um jornalismo com maiores possibilidades de elucidação do público e aclaração de outras áreas com maior influência na nossa vida, como a politica?
Infelizmente, confesso que me inclino para a segunda opção.
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